Por conflito, investimentos migram do Bahrein para Abu Dhabi

Bernie Ecclestone pode até se recusar a ver que o Bahrein é um país imerso em uma profunda crise social, mas os patrocinadores das equipes da F1 não estão tão cegos assim. Às vésperas da prova de 2013, os apoiadores de diversos times procuram forma de limitar seu envolvimento com a prova que acontece no próximo dia 21 no circuito de Sakhir.

Desde o início de 2011, o Bahrein convive com manifestações por parte dos xiitas, maioria no país, contra o regime do rei Hamad bin Isa Al-Khalifa. Embalados pela Primavera Árabe, os manifestantes cobram reformas políticas e sociais no país, mas os protestos, inúmeras vezes, têm sido reprimidos com violência.

A prova barenita foi cancelada em 2011, mas mantida no calendário do ano passado, apesar da intensificação dos protestos, já que os manifestantes não vêm a presença da F1 com bons olhos.

Com o respeito aos direitos humanos sendo constantemente colocado em questão, os patrocinadores dos times da F1 estão hesitantes em exibir suas marcas em um país com problemas desta ordem. De acordo com Jim Wright, um consultor de marketing, com os problemas vividos pelo Bahrein, Abu Dhabi se tornou um local mais atrativo para os anunciantes.

“Abu Dhabi tirou muita coisa do Bahrein”, avaliou. “Além disso, com o problema no Bahrein, a corrida de Abi Dhabi é mais interessante para os patrocinadores”, continuou.

“O realização no fim do ano também é uma vantagem para Abu Dhabi”, avalia Wright. “Agora, está começando a primavera (na Europa) e os patrocinadores tem a chance de levar as pessoas para corridas em Barcelona e Monte Carlo no mês que vem”, ponderou.

Por enquanto, dois patrocinadores da McLaren não irão exibir suas marcas no circuito de Sakhir: o uísque Johnny Walker e a empresa de telecomunicações Vodafone.

De acordo com a Diageo, proprietária da famosa bebida alcoólica, justifica sua ausência alegando que cumpre as leis do país, que não permite propaganda de álcool.

“Assim como em outros GPs em países muçulmanos e outros lugares, para a corrida do Bahrein nós sempre planejamos respeitar o costume local e as leis, e não ativar a marca Johnnie Walker nos carros ou pilotos”, explicou uma porta-voz da companhia.

No caso da Vodafone, a marca será substituída pela Zain, parceira da empresa no Oriente Médio. No seu último ano com o time de Woking, a empresa afirma que sua ausência se deve a uma questão comercial e não política.

A Shell, por sua vez, afirmou que manterá para a corrida deste ano a mesma operação que foi implantada no ano passado, enviando apenas três analistas técnicos para ajudar no fornecimento de combustível e lubrificantes para a Ferrari.

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